As celebrações na estação do inverno na cultura da Etnia Pury no contexto de Guiricema e Adjacências
- Puri Vivo

- 12 de jun.
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Nhãmãnrrúre Stxutér Kaiá Pury - Felismar Manoel
As estações do ano são oportunas para comemorar as coletividades que formam a etnia pury. As estações outono, inverno, primavera e verão resultam da Dança da Terra para o Sol. As estações são conceituadas na cultura da etnia Pury, como resultantes da dança (giro) da Terra (utxô) em torno do Sol (opei). A divindade tupé-sãbonã enviada por Nhãnãdú/Dokóra para orientar a formação do povo Pury, orientou a celebração de suas festas principais, e entre as quais, se destacam as festas das estações (gradéa). As gradéa são instrumentos e também eventos para celebrar a criação da Terra (utxô), esta produzindo favores para os que vivem com ela.
A primeira estação, o outono, estação dos frutos maduros, é a estação que homenageia a criançada. As crianças, de modo geral. Não é o adolescente. Criança, naquela fase, até seis anos, como os que estão na idade escolar também.
A estação do inverno, que vai ser a segunda, homenageia os anciãos das comunidades. Os pais, os tios, os avós, bisavós, aqueles que estão, os vivos. Não é festa para homenagear ancestral falecido, não. E é uma das estações que tem um prolongamento grande, porque ela ocorre na noite mais longa do ano, que é cerca entre 20 e 24 de junho, na nossa região aqui do Leste. Mas dentro dela, tem comemorações que se prolongam de julho e até agosto. Então ela começa com a celebração das sementes, com a festa das sementes, que foram coletadas lá na estação anterior.
Quando tem os frutos maduros, as sementes dos frutos são separadas e cuidadas para serem consagradas no inverno e, a partir daí, serem plantadas. Então essa festa tem um simbolismo muito grande com os anciãos das comunidades, porque o povo Pury considera que eles conhecem as sementes da cultura e dos valores da etnia Pury. Aquilo que o povo Pury cultua como valores, como símbolos. Como coisas da cultura. E os mais velhos são os detentores desses saberes. Quando falo em anciãos, inclui aí masculino e feminino. Quando falo em criança, inclui os dois sexos estão presentes. Então ela aproveita muito as coisas da época.
E essa festa, essa celebração, ela é importante, porque nessa tem a fogueira, durante a noite. Ela é celebrada, inclusive é uma das épocas em que o povo Pury admitia não se deitar, não recolher a partir das nove horas da noite, podia ficar até dar a meia noite. Nela tem a fogueira e essa fogueira, é diante dessa fogueira que fazem a Dança da Terra.
A Dança da Terra ocorre diante da fogueira. São as mulheres que fazem essa cerimônia. Elas se colocam em frente à fogueira e em frente ao nascer do Sol, Leste, em homenagem ao outono, depois em homenagem ao inverno, Sul, à primavera, que é novamente em frente ao Leste. Depois, o verão, Norte. São quatro danças com três movimentos em cada estação e uma volta em torno da fogueira após cada dança. Veja o desenho da dança na postagem. Lembre-se que esta dança (glêuré) é lateral (linha), não uma dança (bundané) circular, de roda, pois é uma dança realizada em ritual, em homenagem e não em celebração, diversão, festa.
Por ocasião da festa do inverno, tudo era homenageado e alimentado, essa é noção cultural. Muitas outras coisas que existem, só a gente escrevendo um texto mais longo a respeito disso, porque tem muitas outras coisas que a gente não lembra na hora que está fazendo a narrativa, a gente não lembra de tudo, mas lembrando, depois eu aviso para vocês.
gleuré unã utxô moéne ã opei
Dança da Terra para o Sol
A formação dessa dança dos Pury da região de Guiricema (MG)
é feita no inverno, em lateral (linha), porque é uma dança usada em ritual/cerimônia em homenagem ao Sol nos quatro pontos cardeais e estações. Nela, as mulheres simbolizam a Terra que dança para o Sol.




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